terça-feira, 10 de abril de 2007

A falta de arte no amar

Por Priscila Letieres Impressionante como todos no mundo são formados pela Harvard na faculdade de “Melhores Entendedores de Amor”, especializados em “Eu já zerei o sexo oposto” e mestrados em “Puta que o pariu: eu sei lidar com qualquer situação amorosa”. Chega a ser engraçado, afinal, que toda regra tenha sua exceção, ou seja: eu! Pessoa nem se quer formada em Harvard, passando por um processo de “vestibular” ainda. Para mim, que acabo de cursar um ginásio-romântico frustrante, saída de um primário absolutamente tímido e introvertido, cair de boca nesse perereco sentimental, assim, sem eira-nem-beira, é no mínimo...estranho. É extremamente compreensivo que uma pessoa, que não tenha base alguma em sua educação sobre o dito cujo - amor- fique completamente enlouquecida ao deparar-se com uma situação adversa às de costume. Seria bom se existisse um daqueles push, ads ou apps que vivem anunciando na internet coisas milagrosas, e ao invés de estampar: “Arrume um namorado em 5 minutos”, exclamasse: “Aprenda a entender o amor, para assim poder conseguir um namorado quando você se sentir segura em suas conseguintes ações perante o outro no lugar romântico”. Não, é?! Tá, não sou tão leiga assim. Sei que amor é aquele 'guilty pleasure’, e dá até pra viver relativamente bem sabendo apenas desse fundamento. Sei também que nem todo mundo gosta de amar, e que tem gente que não consegue viver sem aquele bom e velho amor platônico. Mas eu... Eu não. Definitivamente, amor platônico me cansa - isso era de se esperar, já que passei longos anos pensando em um. Todos estão sempre em busca do amor, da pessoa para amar, da pessoa ideal, da metade da laranja, mas esquecem que estão cercadas por milhares de pessoas igualmente amáveis. Esquecem que vivem cantando e dançando musicas que falam sobre esse príncipe encantado ao invés de abrirem os olhos e dar um giro de 360 graus no ambiente, pra daí sim, procurá-lo efetivamente. Metade da laranja não existe. Tenho pra mim, que há milhares de combinações pra a metade de uma laranja: a metade de um limão, por exemplo, a metade de uma acerola, a metade de uma jabuticaba... depende da tal laranja incompleta.Agora, se deixarmos de lado a teoria do ‘Achismo’, é simples dizer: tudo é relativo, até o amor. Vou, então, prosseguindo em meu cursinho-pré-amor, repleto de frases de caminhão, teorias de boteco e conselhos dos tais graduados em Harvard, para que possa, enfim, enxergar o meu imperfeito-par, pseudo-intelectual alternativo, em algum ângulo a minha volta.

domingo, 8 de abril de 2007

Fome Come

Palavra Cantada
Composição: Sandra Peres e Paulo Tatit

Gente eu tô ficando impaciente
A minha fome é persistente
Come frio come quente
Come o que vê pela frente
Come a língua come o dente
Qualquer coisa que alimente
A fome come simplesmete
Come tudo no ambiente
Tudo que seja atraente
É uma forma absorvente
Come e nunca é suficiente
Toda fome é tão carente
Come o amor que a gente sente
A fome come eternamente.
No passado e no presente
A fome é sempre descontente

Fome come fome come
Se vem de fora ela devora ela devora ela devora
(qualquer coisa que alimente)
Se for cultura ela tritura ela tritura
Se o que vem é uma cantiga ela mastiga ela mastiga
Ela então nunca discute só deglute só deglute
E se for conversa mole se for mole ela engole
Se faz falta no abdome fome come fome come

Gente eu tô ficando impaciente
A fome sempre é descontente
Toda fome é tão carente
Qualquer coisa que alimente
Come o amor que a gente sente come o amor que a gente sente


VOCÊ TEM FOME DE QUE?

domingo, 1 de abril de 2007

Aqui jaz uma Poesia

Por Priscila Letieres

Aqui jaz uma Poesia.
Antes, era livre.
Solta por entre meus cachos escuros,
Fazia o que era de seu bel desejo.

Durante, era aliviante.
Despejada através do laço caneta-mão
Libertava-me, aprisionando-se.

Agora, decompõe-se.
Entre o minúsculo espaço branco que lhe foi imposto
Transmuta-se em um amontoado de letras.
Antes, era uma poesia, um Ser, agora é limitada em pautas.

Só uma mente azul de idéias tem como saga ressuscitá-la
Com seus outros entendimentos sobre ela
E arrebatá-la da pauta, tornando-a um Ser novamente,
Agora, sob outras mechas...