quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Um parágrafo aleatório de ficção

Ela estava pensando sobre deuses, mistérios e estranhezas - extraídos do livro, já avançado na leitura. Parou próximo ao cruzamento, poucos metros de distância da calçada seguinte. Olhou pra cima, viu o céu austral, sentiu o cheiro ancestral e lembrou que aquela era mesmo a sua cidade, como sentira muitos anos atrás, em sua alma velha. A jovem quase foi alcançada por um senhor negro de barba alva que caminhava no vácuo à sua esquerda, por muito pouco não foi atropelada por uma menina descalça e com uniforme do colégio correndo em sua direção, desviando pela direita. Quando voltou ao presente ouviu uma mulher de voz desafinada dizer "Salvador é um inferno". Pareceria cena do livro que lia no ônibus, antes de saltar naquele espaço estranho. Aquele pequeno espaço no mundo era o seu.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

título da postagem

Desde criança, meu pai me chama de "pequena flor de cactos do deserto". Podia ser rosa, orquídea, margarida. Nenhuma delas. Com tanta flor no planeta, ele escolheu justamente essa pra me referenciar, para me conectar com.

Ele não podia estar mais certo. Nem clichê, nem rara, nem simples. Sou mesmo uma flor de cacto.

E voltei a escrever.