Quando era um bebê choroso, só fechava os olhinhos à tarde quando o Bolero de Ravel engolia a casa.
Hoje, muitos anos e choros depois, cá estou eu, trabalhando em uma Okestra - com K, como o original em grego - e entupida de naipes (e que recentemente protagonizou um concerto junto à outra Orquestra - com Q - para lerem juntas esta exata composição).
Aos 6 anos, no meio da brincadeira, pegava uma boneca e um barquinho de papel para ver a chuva que jorrava da calha e formava aquele "mar" no meu quintal. É uma das minhas únicas lembranças de quando miúda.
Hoje, algumas chuvas depois, vou correndo ver o mar quando a "brincadeira" me tira o folêgo e o apetite.
Aos 11 anos, fazia do balcão de mármore da cozinha americana a minha mesa de âncora do jornal principal e narrava os fatos imaginários e fantásticos do dia com tom imparcial, crível e crédulo.
Hoje, alguns semestres desde o início da graduação em jornalismo, tranco meu curso e largo a vida acadêmica. Ao menos por enquanto.
Coincidência? Sincronicidade? Pré-determinação?Lorota?