terça-feira, 18 de janeiro de 2011

À deriva

À deriva...
Sem barco, rumo à vida.

Misturada às águas,
Ouço o barulho do mar me falar:

- Pode entrar!

Com os pés virados para o céu,
Sei que por ali posso andar.

Segura. Calada. Solitária.
Minha respiração e as ondas são uma coisa só.

Pés boiando no ar. Cabeça no mar.
Ao contrário, sou mais eu...

domingo, 16 de janeiro de 2011

Prateleira

De bom tom, ou de bom grado
Com um bom garfo é que se come

A faca passa a carne e a manteiga
Há mais no prato do que há na veia

Com colher engole o suco e o remédio
Se não há mel, para quê cospe pro alto?

Na xícara, só pó do café e da poeira
E de repente, não há mais nada na prateleira


...E tome-lhe Buñuel...

sábado, 8 de janeiro de 2011

Você consegue sentir?

Você consegue sentir isso que sinto?
Um vento leve, um sorriso nos olhos, uma vontade de abrir os braços.

A sensação de ser um gigante que quer sair correndo, escadas acima, rumo ao universo infinito.

Como se estivesse dentro de um vértice de luz e verdade.

A energia fluindo, entre um ser e outro, de uma alma para a outra.

A ideia fixa e concreta de que a constância é a mudança.

Parece que irá se soltar como pipa a qualquer momento e irá parar lá, onde o seu olhar está.

Tudo vira energia, comida, música, mãos, cheiro, sol, mato.

Você consegue sentir isso que sinto?
Não tenho tempo para medo, só há tempo para dar as mãos àqueles que também sentem o que eu sinto.

Estou ansiosa e feliz!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Enfim

"Enfim,

Sem acento. Sem abraço. Sem hífen.
Nenhuma lágrima que esguiche.

Sem carinho. Sem grito. Sem olhar.
Nenhuma discussão repleta de breguice.

Sem alarde. Sem birras. Sem toques.
Nenhum sorriso, só uma chatice."

Juca D'água

Rimar caretices e palavras com a mesma terminação é fácil, assim como viver os mesmos romances com pessoas iguais e desnecessárias também o é.
Difícil mesmo é viver de maneira tão avassaladora-pós-moderna-vanguardista, como vivemos.

A gente viveu com o dente, com o choro, com o erro, com o peito aberto e sem coragem.
Mesmo sem coragem, a gente viveu.
Isso é que é coragem.

Diferente de tudo que se passou nesta linda e romântica novela mexicana, eis que terminamos de um jeito inesperado: normal.

Isso é inexplicável.
Inexistente.
Isso é irrimável.