quarta-feira, 20 de setembro de 2017

aquele verbo intransitivo direto

foda-se
fodasse
fodace
fodasce
fodaze
fodase

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A coisa

Era só uma coisa. Uma porção de plástico desenhado sob a ótica de uma estética datada, clássico oitentista, visto em filmes e pessoas e referências. 
Era só um bem estático de consumo, timbrado sob a alcunha de uma palavra qualquer - ao que me parece, chama-se "marca" - e marcado em viva carne com arranhões incontáveis das experiências nas quais foi abruptamente envolvido, sem se quer ser consultado. 
Era uma parte das aventuras das quais fez parte, um resto de memória menor, o olhar oculto.
Ele era um organismo particular de alguém, uma coisa que trazia à lente um momento, que por sua vez o justificava - pois tinha uma emoção. 
Ele não era só um treco. Era vivo, do seu jeito natureza-morta. 
Roubaram os meus óculos.

domingo, 10 de setembro de 2017

comida má

O mergulho em águas turvas de um lago estranhamente calmo me traz você. Isso mesmo, você. Quase como um sonho ruim depois de dormir cansada, esgotada, de roupa no sofá. Acordo amassada pensando no seu canto mais delicioso, ali, onde encaixei tão bem, no seu corpo. Um corpo com o qual topei e quis sofrivelmente, embora soubesse que não passaria disso, desse placebo e que agora some de vez. Porque você o tirou de mim, o você, e me esqueceu.

O banho em água corrente e limpa me leva pelo ralo. Me vejo isso, farelos de uma pessoa que acabaram de comer caem da minha própria existência, que se desfaz no piso molhado do banheiro. Me cato e deito numa cama com lençóis claros. Me colo e me toco. O que me restou foi isso, um pedaço de desejo usado, que coloco em minhas mãos e levo até meu prazer para lhe engolir ali. E lhe comer até nada sobrar. Porque preciso lhe esquecer.