domingo, 9 de setembro de 2007

Magnólia

O vento pareceu torto naquele fim de tarde.Estranhas nuvens demasiadamente brancas e macias que flutuavam no ar eram um convite e tanto.Lembrou-se da adolecência.Como poderia ela, aos 42 anos -e um corpinho de 20- estacionar em um classe burguesa com tantas coisas realizadas, porém sonho algum concretizado?
14 de Dezembro, 14:00h
Corria com o salto agulha de um lado a outro do enorme salão da casa, esperando pelo telefonema.Nenhum sinal do toque estridente do telefone que pousava na mesa de marmóre ao canto, próximo a porta.
-Alô?Sim, é ela.Hum rum, perfeitamente, entendo que não é de completo interesse da empresa.Absolutamente.Foi um prazer de qualquer forma, tenha um bom dia!

Parou um pouco.

-Mas que Porra!

Ainda que um dos poucos contrato que lhe restara tivesse acabado de ser cancelado -visto que 4 deles já tiveram o mesmo fático destino nesta semana- não era motivo para aquilo. Palavras sujas escorregando do baton Channel?Impossível! Se a própria Magnólia não tivesse se asustado, jamais acreditaria.Quer saber?Não importava mais.Viu toda aquela vida superficial verte das suas veias e o viceral explodir,era um total disperdício. Pensou em mudar.Novamente?Melhor continuar a ser insuportavelmente prevísivel.Todas as suas palavras com suas terminações em "mente" perfeitamente empregadas na frase jamais iriam para o lixo.Absolutamente que não.Mas a tua mente mentia em tudo.

Nada daquilo era o que queria nos seus pensamentos quiméricos de seus deliciosos 18 anos.Tudo pareceu claramente errôneo.Tanto a administração da loja de decoração da família quanto os constantes desequilibrios de consumismo recorrentes em todo mês.

Sentando-se calmamente no sofá confortável, suspirou.

-Mas poque não forçar mais um pouco?Quem sabe artes-cênicas?- Sugeriu silenciosamente para suas intranhas.

Jamais, até então, tinha ocorrido na sua limítrofe cabeça um flahsback tão intenso como aquele.Fez teus nervos pararem repentinamente e acelerarem em mais estranha velociadade ainda.Parou, acelerou.Sentiu-se desprezível.De que adiantava conhecer todo o mar se a tua alma era pequena?De nada, de nada lhe adiantou largar o curso de jornalismo, abrir mão do ativismo nos movimentos estudantis, políticos.De nada para o nada: foi onde ela chegou .

A filha casou-se, e depois de quebrar toda a cristaleira em uma discussão relativa a embriaguez da mulher que lhe deu a luz, nem mais um suspiro lhe dedicara, a não ser pela frase:

-Agora você está só, mãe!

E sumiu.Assim como todos os sonhos.Poderiam eles abandoná-la também?O que foi possível, aconteceu.Qualquer vestígio de delírio juvenil escapou das garras de esmalte vermelho da bela senhora.

Aquilo era o fim.Saiu calmamente pela porta do luxuoso apartamente.Resolveu andar pelas escadas.Segurava-se delicadamente pela parede alva e estreita, tudo aquilo era estranho. Chegava, então, ao topo.Brilhante era o ouro do sol que tilintava e fazia arder teus olhos azuis e os cabelos negros voavam nerastênicos pelo céu.O vento pareceu torto naquele fim de tarde. Algo de concreto ia ser finalmente concebido pelo desejo diafragmático de Magnólia; algo de concreto;ou algum concreto.

Pulava ou não pulava?