sábado, 17 de outubro de 2009

Amor egoísta

Quando nos sentimos só, queremos ser amados. Em resposta à solidão, ao desconforto, à misericórdia que temos de nós mesmos quando nos vemos fracos, buscamos alguém para nos amar.
Entupidos das levianidades terrenas, somos detentores do amor mais egoísta que já se viu: o amor pelo nosso conforto.
Não gostamos de abrir mão, dar o braço a torcer ou ter que bater as pernas para ultrapassar a zona de conforto, subtrair os nossos caprichos e pular rumo a vida de um outro coração.
Queremos o nosso bem, sem olhar a quem ele pode ferir. Queremos o venha nós, ao vosso reino nada.
Nos afastamos, uns dos outros, aos poucos, e de uma maneira vertiginosa seguimos pelo lado mais humano da força: o lado da facildade.
A realidade, criada pelas mãos sujas e limpas que se misturaram, é uma variável.
Quando nos deparamos nus em frente a mutante indefectível que é a realidade, nos sentimos mal, choramos e podemos até perder os movimentos dos lábios, mas nada fazemos. Continuamos a nos comportar apenas como plumas ao vento: levados, sempre distraídos e sem reação.
Mudar não deveria ser dar um passo para trás, tampouco para frente, deveria ser o repensar do lugar presente, da marcação X sobre a qual nos encontramos no mapa do mundo, da situação que vivem no agora.
Afinal, o passado e o futuro são igualmente intocáveis.
O que se tem para hoje é que deve ser apurado, sentido, aplaudido ou repudiado, trocado se necessário. É a única coisa que pode ser realidade.
Como humana, queria o amor, o carinho e a alegria.
Como amor, queria a liberdade, a diferença e a atenção.
Como liberdade, queria o sentimento e a compreensão.
Como mulher, quero a felicidade.