domingo, 29 de julho de 2007

Como antigamente

Em dias de chuva, costumava brincar com a água que caía pela calha. Grandes e pequenos navios podiam circular por aquelas fortes correntes de água que desaguavam no austro. Era gostoso ver a água escorregar pelo barro; aquele cheiro de grama molhada era um forte tranqüilizante, equivalente a 34 caixas de lexotan. Podia sentir a música leve do rádio dentro de casa lá de fora.

À espera do ônibus, em um dia cinza, com chuva gostosa a cair, deparo-me com um pequeno córrego de água, o asfalto o levava pela longa ladeira, eu descia junto, eu o acompanhava. Até que aquele fluxo encontrou um bom lugar para depositar toda aquela misturada água, aos meus pés: uma poça. Podia ver todo o resto de grama flutuar. Pude ver o barco navegando pelos mares que a calha, no jardim de inverno na casa da minha avó, também formava.

E a vontade de correr, onde poderia colocá-la?Tinha que trabalhar em alguns minutos. Tive que jogar todas as lembranças - porque não dizer esperança - na poça e correr para subir no ônibus que já arrastava.O peito doeu.Como que de maneira irrefletida um suspiro agridoce soltou-se da garganta.Já não tinha mais volta.Queria poder colocar o barco novamente na água mas,à lembrança,cabia apenas o pensamento e não mais as mãos.

2 comentários:

Anônimo disse...

Virar gente grande traz também implicações chatas. Mas que persista o espirito que tem vontade de tomar banho de chuva, mesmo que não tenha tempo. O que vale ainda é a essência. Beijo Piu e vê se avisa quando atualizar o blog :)

Luciana L V Farias disse...

Viajei junto com o barco do seu post... lindo!!!

Beijão!!!