-Juliana chega em casa, passa pelo balcão, mexe em uns envelopes e se dirige ao quarto em silêncio, achando que o ar daquele apartamente estava estancado, além do normal. Vê os dois adormecidos na cama,Joana e Renato, e depois de recolher todos os seus pertences e juntá-los em uma mala, acorda seu marido com o vinho que transbordava na taça , em cima do criado-mudo, ao lado da cama descoberta.
Aquele dia, o mundo voltou à tona para Renato.
Ele deveria estar em uma espécie de transe até então.Transe na transa anterior,quando estava trançado às pernas de Joana, quando tudo lhe parecia um monte de nada.Mas havia acabado.A escova de dentes havia sido retirada do banheiro bagunçado, duas portas do armário de 3 portas estavam agora vazias; o vinho tinha sido jogado no face alva do,agora acordado, Renato.
E agora, Renato? Despertado pelo vinho e pelas conseqüências nada efêmeras dos prazeres efêmeros oriundos do adultério. Viu-se pisando em solo terréneo, enfim pousastes na realidade.
Juliana, muito séria, deu o ultimo adeus e bateu a porta.Como cena de novela, jogou o chaveiro de borboletas vermelhas em cima do sofá, falou que não era mais nescessário, e nunca mais voltou. Melhor pra ela que fosse mesmo decidida.
Agora lá estava o Renato. Mais jogado no sofá que as borboletas vermelhas.Mais sério que Juliana.Lembrou de quando conheceu Joana, a culpada.Porque ele teve que reparar nos teus detalhes castanhos, que esvoaçavam meio a praça 2 de julho, ao meio dia de uma ensolarada terça-feira?
Porque ela se chamava Joana? Justamente, Joana?Esse nome era bonito demais, atraente demais.
Juliana era mais bonita e atraente quanto o nome de Joana. Mas era dele. Já tinha se encantado, durante longos 7 anos, por aquele galanteador. Ele estava um pouco entediado. O que Renato esqueceu, é que ela não apenas lhe pertencia, mas a ela, pertencia sua alma.
Sem maiores dramas, isso era apenas um fato.
Fato esse, que meio a devaneios orgasmáticos, ele não teve tempo - lê-se folêgo - para lembrar.
Pior pra ele... que, visceralmente falando, foi descontrolado.
Claro que Renato estava triste, Joana ainda estava em profundo sono e Juliana... Juliana? Ela já não estava mais na história.
Tinha acabado. Pelo menos pra uma personagem a historia havia findado. Para que, então, aqueles pensamento, conjecturas, simulações?Ainda restavam dúvidas.
E lá foi Renato tentar acalmar tais inquietações. Acordado, com a cara lavada e a calça de pijamas,levantou-se , foi até o quarto, e na porta parou. Mirou Joana, que agora colocava o pequeno vestido vermelho ao mesmo tempo em que prendia delicadamente os cabelos e perguntava-lhe onde estava o dinheiro.
Renato, erguendo o braço com uma absurda falta de força, apenas apontou a mão para o balcão, onde pairava aquele envelope branco.
E agora, Renato? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou...e agora, Renato?
Pronto, estava feito. Às 22:00, de uma iluminada noite de terça-feira, sua decisão de se libertar às vontades, se debulhar no desejo e no veneno dilacerante do inesperado, tinha se concretizado.
Pronto. Era só isso.
Melhor pra ele que fosse mesmo decidido...
4 comentários:
sobre racional e extintivo...
bom texto!
Julianas sempre se fodem.
Mas pelo mesmo, se o enredo for de Piu, eu me fodo com classe.
gostei muito.
I N S A N.O
muito bom PIU!!
Um super beij.o!!
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