Quem poderá culpá-los?
Com suas chagas abertas
Atormentadas
Que cospem pus
Enquanto latejam com tamanha dor
Quem poderá detê-los?
Soltos no desconhecido mundo
Sozinhos
Perdidos em um planeta qualquer
Buscando o que nem mesmo sabem que querem achar
Quem conseguirá entendê-los?
Com suas palavras estranhas
Entupidas
Que correm pelas artérias da garganta
Em uma tentativa louca de comunicar-se com o interior
Quem saberá amá-los?
Em sua grandeza etérea
Intocável
Que destoa da realidade alucinógena
Embravecida pelo divino sentimento humano
Quem temerá beijá-los?
No mais simbólico dos atos
Fraternal
Destruidor e desbravador de entranhas
Capaz de atingir a alma,
Abraçar a luz
E enxergar o óbvio
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