quinta-feira, 21 de julho de 2011

O Estranho Conhecido

Cheio que nuances, lá estava o Estranho Conhecido
Parado, frente a mim, atrás de uma porta de vidro

Estática, lancei meu olhos sob aquela esquisitice 
Intolerante, ela quase jantou a minha pele em instantes

Me segurei em minhas próprias mãos ao ver o que parecia ser a sua boca
Tão próxima, suculenta, grande, e naquele contexto, completamente solta

Dei um passo para perto e não pude pegar - o vidro ainda existia
Senti vontade de me jogar, de apertar, de devorar, de comer, me saciar

Ao observar o meu reflexo misturado a sombra daquela fera, desejei tê-la
Quis puxá-la mais pra perto, pra dentro - quis prová-la

Eis que de repente me deparo com o inesperado: aquela coisa grande já não era mais ela
Apertei os olhos e com a mão toquei no espelho que se partiu em mil pedaços

Entendi: não era mas ela, a besta fera
A fera, agora, eu era - tão avassaladora quanto antes era

Um comentário:

Anônimo disse...
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