quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Antropofautocentrada 2

Deitada em minha cama, sou quem quero ser: eu mesma. Completamente sem julgamentos e desprendida de qualquer intenção, fico solta em meus detalhes.

Ouço minha respiração com maior atenção. Vejo meu corpo, apurando o coração para cada contorno. Sinto o meu cheiro de folhas, flores e água em eterna e terna harmonia.

Enfim, já sou quem sou. Por fim, posso pensar nas outras que sou: o todo.

No meio de uma sutil idolatria pelos meus corpos, sou surpreendida com um universo de visitantes muito especiais.

Não sei se já encontrou com elas mas, caso já tenha se deparado com os pequeninos seres estelares, deve imaginar a minha felicidade naquele exato instante.

Estrelas. Por toda parte. Inibidas pelos meus olhares, cochichando, tão surpresas quanto eu!

A felicidade era absurda. A vontade de agarrar cada pedacinho de luz cósmica era ainda mais absurda ainda. Mas precisei me conter: as estrelas são muito pequenas e frágeis, são seres que se assustam com o menor detalhe.

Entendi que era preciso fingir-me de boba para deixá-las brincar em mim. E se eu queria encostar os dedinhos nelas (curiosa que sou) era preciso entrar no movimento delas.

Tão suaves. Tão gostosos.
Tão delicadas são as estrelas.

E brincalhonas!

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