segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A cabeça balança em tom de aprovação a qualquer tipo de comentário que reprove aquilo.

"Aquilo" é o relacionamento. "Aquilo" é você. "Aquilo" são vocês dois.

É assim que podemos ver o início do fim de um amor.

Na mesa, Felipe e Patrícia conversam cercados de amigos. Assuntos paralelos se cruzam e o que parecia impossível acontece ali: você vê o quão sua namorada está em outra.

Não em outro, não em outra no sentido homoerótico da coisa - ainda que seja este o caso.

Ela está em qualquer outra coisa que não seja vocês.

Brilha os olhos na menor aproximação com ideiais do tipo amor livre, relacionamento aberto, mudanças ou qualquer coisa que seja oposta ao que linka, diretamente, você a ela.

Ela perde suas referências, esquece do que você gosta, propõe coisas absurdas e aprecia o seu silêncio. Gosta que você fale pouco.

Ou melhor...

Gosta que não fale nada.
Tudo desperta a agonia. Você agora é digno de enjoo, irritabilidade.

Te irritou?
Que bom.

- Que pena, dois trabalhos - Ela diria.

Ela quer mais é que você se dane, mas demonstra tudo isso com muita imparcialidade. Lhe conduz, soltando beijos a distância e fazendo carinhas de dengo, para o abismo a sua frente.

O cheiro, a voz, as palavras, o corpo, o gosto.

Não adianta apelar, pelejar, apalpar.

De nada adianta vestir-se ou até mesmo despir-se.
Já não há afetividade, sensualidade, animosidade, nem mesmo caridade que a façam te reparar, trepar, te ter.

Ela olha pra outros lugares. Tudo é mais interessante. Qualquer papo, qualquer nova amizade, qualquer vento, qualquer descontentamento.

Ela não se importa em equilibrar, inteirar, partilhar - ela passa a detestar compartilhar.

Associar a sua presença e sua participação a vida dela? Só se for no mesmo baleio do emprego indesejado, dos problemas familiares ou do dinheiro que nunca basta.

Aí seu nome cabe direitinho. Como uma luva. Como uma roupa nova - não tão bonita, meio apagadinha.
Sem respostas, muito menos perguntas.

Não adianta sofejar nada em seu ouvido, nada em seus olhos, nada em sua boca.
Ela vai querer dormir, talvez, se o humor melhorar, até com você.


Mas ela vai achar que é drama até mesmo não mais te querer.



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