quarta-feira, 23 de julho de 2014

A Morte Crônica

As vezes não tem explicação
É difícil ver o chão pisando assim tão rápido

O passo cálido nada teme
Mas infelizmente não tem a menor comunhão com o todo

Buracos enormes escorrem das paredes
A decepção é ágil, pueril e romantizada

O sorriso falso enebria o ambiente
Mas nada se sente, a não ser o terrível cheiro de gente cujos corações se decompõem lentamente

Já não há explicação
Tampouco, elucubrando, um querer, um gostar, um fazer

Sentar, deitar, levantar, vomitar
O amor se dissolve e se transforma em ultraje, covardia e sarcasmo

Tudo isso escondido em farrapos de peles maltrapilhas
Que nem ao menos se tocam, mas guardam o que um dia foi sentimento cármico

Há um quê de vida até na morte.

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