Crônica 3 | A mulher
Por Priscila Letieres
Toda mulher já pariu.
As que abortaram, as que decidiram não ter filhos, as que optaram em viver a maternidade sem gestar, as que quiseram engravidar, as que decidiram não casar ou criaram núcleo familiar.
Toda mulher já pariu uma escolha a ser questionada por todo mundo.
Escolha essa que nunca será comparada às escolhas nunca julgadas de um homem, cis, heterossexual e socialmente maternado.
Não importa se eles serão pais, se eles abortarão, se irão casar ou mesmo envelhecer como bem entenderem.
Não cabe a eles o lugar de observados, mas observadores, compreendidos e cuidados por toda grande mãe que já existiu.
Não é o mesmo para as mães.
E por mães, digo mulheres.
As decisões do feminino sempre serão julgadas.
Qualquer que sejam elas. Do não ao sim.
Ao dar à luz de uma mulher, em sua presença social e cultural, sempre, recairá, a criticidade de todos e, acreditem, de todas.
Escolhas que, como sementes, filhos ou realidades, acompanharão estes seres femininos por toda a vida, caminhando a sua frente, ao seu lado, atrás.
Jamais esquecidos, perdoados ou respeitados em sua livre forma.
Toda mulher é mãe da sua vida e da vida.
Ser mulher é gestar um monte de coisa, é parir o mundo.
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