Ela estava pensando sobre deuses, mistérios e estranhezas - extraídos do livro, já avançado na leitura. Parou próximo ao cruzamento, poucos metros de distância da calçada seguinte. Olhou pra cima, viu o céu austral, sentiu o cheiro ancestral e lembrou que aquela era mesmo a sua cidade, como sentira muitos anos atrás, em sua alma velha. A jovem quase foi alcançada por um senhor negro de barba alva que caminhava no vácuo à sua esquerda, por muito pouco não foi atropelada por uma menina descalça e com uniforme do colégio correndo em sua direção, desviando pela direita. Quando voltou ao presente ouviu uma mulher de voz desafinada dizer "Salvador é um inferno". Pareceria cena do livro que lia no ônibus, antes de saltar naquele espaço estranho. Aquele pequeno espaço no mundo era o seu.
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