domingo, 10 de setembro de 2017

comida má

O mergulho em águas turvas de um lago estranhamente calmo me traz você. Isso mesmo, você. Quase como um sonho ruim depois de dormir cansada, esgotada, de roupa no sofá. Acordo amassada pensando no seu canto mais delicioso, ali, onde encaixei tão bem, no seu corpo. Um corpo com o qual topei e quis sofrivelmente, embora soubesse que não passaria disso, desse placebo e que agora some de vez. Porque você o tirou de mim, o você, e me esqueceu.

O banho em água corrente e limpa me leva pelo ralo. Me vejo isso, farelos de uma pessoa que acabaram de comer caem da minha própria existência, que se desfaz no piso molhado do banheiro. Me cato e deito numa cama com lençóis claros. Me colo e me toco. O que me restou foi isso, um pedaço de desejo usado, que coloco em minhas mãos e levo até meu prazer para lhe engolir ali. E lhe comer até nada sobrar. Porque preciso lhe esquecer. 

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